Hoje é Domingo e, como tal, como cristão que sou, fui à missa a Barcelos. Ao fim da missa, é normal distribuir-se um boletim de diversas textos sobre o ser cristão e com informações sobre as actividades da paróquia.
Um texto que me chamou à atenção foi “Campanhas contra a Sida”.
Até aqui, nada de extraordinário. Todos nós sabemos a posição da Igreja Católica perante o uso do preservativo: é, teimosamente, contra.
O artigo, de Maria Acília Alexandrino n’O Jornal de Vieira, vem dar uma visão sobre estas doenças do cristianismo fanático e radical. Para além disso, vem revelar uma falta de informação tal, que foi razão para eu ficar espantado com a estupidez e facilidade que se disse tal asneira. Aqui vai um excerto:
O próprio Comité Independente Anti-Sida publicou uma listagem com os nome de 31 doenças que estão no topo. Doenças que pensávamos erradicadas como a sífilis, o condiloma, a gonorreia, as hepatites estão de novo em franco desenvolvimento.
Não há dúvida que as campanhas que, sobretudo nestas épocas de férias e calor, mais se incentivam a favor do preservativo muito contribuem para o alastramento deste mal.
Leitor, você que lê isto, tome atenção: quando vir uma campanha sobre o uso do preservativo, FUJA A SETE PÉS, porque “… as campanhas que (…) mais se incentivam a favor do preservativo, muito contribuem para o alastramento deste mal.”
Meu Deus, a ignorância atinge pontos que eu nunca vi em toda a minha vida. Agora são as campanhas a favor do uso do preservativo que são as culpadas pelo aumento da incidência das DST’s? As campanhas que dizem que se tiver relações sexuais sem preservativo, pode “apanhar” doenças que podem ser mortais?
Mas esta senhora, que escreve este artigo, dá uma solução óptima:
Então qual a solução? É simplesmente o domínio próprio. A abstinência sexual é possível e dá um novo vigor à vida normal.
Ah! Sem comentários! Mas esperem, que ainda há mais:
É um hábito a desenvolver como se treinam os que querem praticar desporto, diariamente, mesmo que não tenham metas olímpicas Ou mesmo aqueles que querem simplesmente estar e manter-se em boa forma. Se houvesse mais gente com bons hábitos de desporto, haveria menos dependentes do preservativo.
Claro que sim D. Maria! Repare que o Figo, que é jogador de futebol no A.C.Milan, salvo erro, fez uma campanha pelo uso do preservativo.
Portanto, isso não quer dizer nada.
São conhecidos grupos da América – aliás, em todo o mundo - que conseguem este domínio. São pessoas normais. Têm mais força e alegria. Estou convencida de que todos os que se candidatam às olimpíadas, partissem deste principio, alcançariam melhores marcas.
Eu acho que há um ponto a focar.
O sexo é normal, certo? Segundo a Bíblia, Deus disse “Crescei e multiplicai-vos”. Então explicai-me: que é que se passou aqui? De repente o sexo é visto como um tabu? Como uma coisa anti-natura que, por causa duma bolsa de plástico, que nos pode proteger, há que dizer “não, obrigada”?
É por causa de pessoas como esta que o mundo anda como anda: pessoas que não se informam, que culpam o preservativo de todos os males do mundo e que diz se houvesse pessoas dedicadas ao desporto, “havia menos dependentes do preservativo”.
Tenham santa paciência!
P.S.: Amanhã começam as aulas! :-(
De Anónimo a 21 de Março de 2009 às 14:35
Ex.mo Sr
Hoje, por acaso, encontrei este comentário ao meu artigo. Apenas quero esclarecê-lo do seguinte:
1 - sou casada e sexualmente realizada
2 - sou mãe de filhos
3 - dada a minha profissão sei do que falo
Poderia indicar-lhe outros estudos em que me baseei. Mas como é cristão, com toda a certeza terá, pelo menos, alguma curiosidade em saber os conhecer melhor os fundamentos em que se baseiam essas pessoas de tão crassa ignorância segundo o seu douto critério. Porque não lê, por exemplo, "VALORES DA FAMÍLIA E O “SEXO SEGURO” do
CARDEAL ALFONSO LÓPEZ TRUJILLO
PRESIDENTE DO PONTIFÍCIO CONSELHO PELA FAMÍLIA, publicado em Dezembro de 2003? Basta ir ao google. Respeitosamente
Maria Acília
De Anónimo a 21 de Março de 2009 às 14:47
Desculpe, mas esqueci de lhe dizer o seguinte: Cuidado com essa falsa segurança no preservativo não vá acontecer-lhe aquilo que acontece a outros: aos 23, 24, 25, ...anos ter que fazer lazer a umas verrugas muito perigosas(para além de muito feias!) que poderão aparecer-lhe precisamente na extremidade do órgão que, supostamente, deveria estar tão protegido quanto imagina... E esses buraquinhos são muito dolorosos! Nem imagina!
E... essa será a menor das doenças:HPV.
Enquanto é tempo, seja prudente...já que não pretende ser virtuoso.
Um abraço
Maria Acília
Boa tarde D. Maria Acília,
Muito obrigado pelos seus dois comentários e por ter visitado este espaço.
Ao comentar o seu artigo, apenas pretendi expressar a minha opinião. Se a insultei ou denegri de alguma forma, peço as minha desculpas.
No entanto, ao ler o seu artigo, não concordei e apenas expressei a minha opinião, que é concordante com várias outras pessoas, mais instruídas que eu, até porque, tenho apenas 17 anos.
Sou católico, mas também sou humano: tenho uma opinião sobre a Igreja, algo que todos nós deveríamos ter.
O Preservativo previne até 90,4% as doenças sexualmente transmissíveis. A Igreja não pode utilizar o argumento que o preservativo não previne a 100% a transmissão de doenças, até porque nenhum método (exceptuando a abstinência) o previne (já estou a tirar algumas ilacções do documento que me recomendou ler); o preservativo não retira a beleza do acto de fazer amor. Não me estou a referir áqueles que fazem sexo sem cumpromisso ou sexo com quem quer que seja: estou-me a referir àqueles que gostam um do outro, que se amam e que sabem bem o que é o casamento.
A dignidade humana também não subvalorizada com o preservativo. Aliás é sobvalorizada. Sejamos sinceros: mesmo que não concorde com o sexo antes do casamento (algo que eu não comento até porque, não compete a mim esse tipo de julgamento), seria melhor uma criança (fruto de uma relação de uma noite) vir ao mundo e não ser cuidada como deve ser? Isso é dignidade?
O preservativo não é o culpado do alastramento da taxa de incidência do HIV/SIDA. Aliás, as campanhas de prevenção têm ajudado a que esta taxa desça.
Esta posição da Igreja Católica ficou bem vincada quando o Papa, ainda esta semana, disse que o preservativo era o culpado pelo alastramento da SIDA em África. Como deve ser do seu conhecimento, são vários os grupos (católicos) que distribuem preservativos (e distribuir não quer dizer "a torto e a direito" mas sim com um planeamento familiar bem feito) e que têm feito reduzir a taxa de incidência da SIDA nas regiões onde se encontra.
Em suma, o preservativo não é protege completamente, mas ajuda a proteger, algo que deve ser reconhecido por todos: desde os conservadores aos liberais.
E quanto ao artigo que me recomendou ler, vou lê-lo com todo o cuidado e darei a minha opinião sincera e digna de um rapz de 17 anos que nunca teve namorada, que gosta dos amigos e que critica aquilo que acha que está mal.
Mais uma vez, peço desculpas caso a tenha ofendido e volte a este espaço mais vezes.
De Anónimo a 21 de Março de 2009 às 20:17
Olá Bruno
Esteja descansado. Não fiquei zangada. Felicito-o porque me parece um rapaz inteligente, escreve muitíssimo bem - o que é raro nos dias de hoje -e mostra interesse por variados temas culturais. PARABÉNS.
Mas, mais uma vez tenho de lhe dar um conselho: nunca interprete, em termos absolutos, uma frase retirada do seu contexto. Isto vale para tudo. Dá ocasião a manipulações de todo o tipo. Se ler a entrevista dada pelo Papa, verá que o Papa respondeu a uma questão posta. Ele não disse que o preservativo é o culpado. Disse, mais ou menos, que investir apenas no preservativo não soluciona este flagelo.
E se pensarmos há quantos anos se difunde, propagandeia e distribui o preservativo, como se explica que a sida esteja a aumentar tanto? Como se explica que esteja a aumentar tanto nos homens a partir da meia idade? Como se entende que as DST que estavam mais ou menos controladas há cerca de 40 anos estejam a aumentar de forma pandémica? Se o preservativo fosse tão eficaz como nos querem fazer acreditar, isto estaria a acontecer? É que, na realidade, está mesmo a aumentar, creia. Que interesses estarão por trás?
Desculpe não poder concordar com tudo o que diz.
Mas estou a gostar muito de visitar este espaço e conversar consigo
De Anónimo a 23 de Março de 2009 às 11:33
Olá Bruno
Insiro aqui uma carta que foi publicada no Público sobre a instrumentalização que os mídia fizeram da resposta do Santo Padre, em Angola, sobre a resolução do flagelo da SIDA
Uma boa semana
M. Acília
PÚBLICO: 2009/3/20
Cartas ao Director
Senhor director:
Gostava de manifestar a minha perplexidade perante o eco nos meios de comunicação e não só, da famosa "condenação do preservativo" proferida por Bento XVI. Não sei se a maior parte dos jornalistas terá tido o incómodo de ir ler directamente as tais condenações. Dá a impressão de que bastantes, não. Por exemplo, a última página do publico do dia 18 de Março diz: "Por que não a opção pelo silêncio num tema tão sensível?".
Fui ler todos os discursos do Papa nos Camarões: todos!. Em nenhum deles fala do preservativo. Fala, sim, da dignidade da pessoa de uma maneira tão bela e realista como é característico nos seus discursos.
De onde vem então a conversa sobre os preservativos? De uma sessão de perguntas postas por jornalistas de vários países durante a viagem de avião. E claro que, se um jornalista pergunta directamente sobre um tema, é de boa educação responder (fica claro que Bento XVI não tinha previsto em nenhum discurso, abordar o tema dos preservativos dessa maneira. O objectivo da viagem a África foi, como ele disse ao chegar aos Camarões: «Vim aqui para apresentar o "Instrumentum laboris" para a Segunda Assembleia Especial, que terá lugar em Roma no próximo mês de Outubro».)
A resposta que o Papa deu ao jornalista Philippe Visseyrias de France 2 foi a seguinte (peço desculpa por citar uma tradução em espanhol):
(...) no se puede solucionar este flagelo sólo distribuyendo profilácticos: al contrario, existe el riesgo de aumentar el problema. La solución puede encontrarse sólo en un doble empeño: el primero, una humanización de la sexualidad, es decir, una renovación espiritual y humana que traiga consigo una nueva forma de comportarse uno con el otro, y segundo, una verdadera amistad también y sobre todo hacia las personas que sufren, la disponibilidad incluso con sacrificios, con renuncias personales, a estar con los que sufren. Y estos son factores que ayudan y que traen progresos visibles. (...)
________________________________________
[(…)este flagelo não se pode resolver apenas com a distribuição de preservativos: pelo contrário, existe o risco de aumentar o problema. A solução só pode encontrar-se num duplo empenho: o primeiro, uma humanização da sexualidade, quer dizer, uma renovação espiritual e humana que leve consigo uma nova forma de se comportar um com o outro, e segundo, uma amizade verdadeira e sobretudo para com as pessoas que sofrem, a disponibilidade mesmo com sacrifícios, com renuncias pessoais, a estar com os que sofrem. E estes são factores que ajudam e trazem progressos visíveis (…) ]
__________________________________________
Onde está a condenação? Essas palavras podem ser interpretadas como uma condenação? Muitos dos jornalistas que ainda hoje repetem os mesmos lugares comuns terão lido estas palavras? Mesmo o jornalista António Marujo, depois de várias críticas, no fim do artigo do mesmo dia 18, diz: "Bento XVI pode ter razão noutra coisa: o preservativo não é "a" solução do problema... ". Não é isto o único que o Papa diz nessa "fatídica" resposta? O próprio autor do artigo cita, mais à frente, a directora do instituto angolano contra a Sida; Dulcínia Serrano: "comportamentos como a fidelidade e a abstinência também jogam um papel importante na redução de novas infecções"... Não se parece isto mais ao que o Papa disse?
Será justo que a resposta a um entre vários jornalistas anule completamente os ensinamentos e o conteúdo de uma viagem inteira?
Muito obrigada
Amparo Gironés, Porto
De Anónimo a 24 de Março de 2009 às 11:23
Olá, Bruno. Bom Teste de Português. Achei que talvez gostasse de ler este artigo. O estilo pouco caridoso não é o meu género; mas as ideias de fundo estão certas. Com amizade
Maria Acília
A prostituição eclesiástica e a Paixão do Papa
Nuno Serras Pereira
23. 03. 2009
1. Haverá aí alguém que não tenha ouvido falar num Bispo, até há pouco desconhecido, chamado Williamson? Creio que ninguém ignorará o grande clamor que se levantou por todo o mundo e mesmo na Igreja a propósito das suas disparatadas, ingénuas ou imbecis, maliciosas ou simplesmente apatetadas, afirmações sobre o holocausto perpetrado pelos nazis ao povo judeu. É fácil de compreender a grave apreensão que esse pronunciamento público provocou, principalmente nos sobreviventes e familiares dos que padeceram e morreram vítimas daquela monstruosa injustiça. Se hoje é ponto assente, não subsistindo dúvidas, sobre a enormidade e extensão daquele genocídio maquiavélico, entende-se também, muito bem, a perigosidade de tais declarações, uma vez que poderá contribuir, em certa medida, para gerar ou incrementar movimentos anti-semitas que advoguem que tudo não tenha passado de um delírio ou de uma propaganda dolosa, por parte desse povo, com objectivos inconfessáveis. Concebida a suspeita, a desconfiança, e com esta a hostilidade, tende a crescer dando à luz desentendimentos, discórdias, agressividades, perseguições, etc.
No entanto, tanto quanto nos é dado saber, este Bispo, que recordemo-nos está suspenso a divinis, nunca promoveu a ideologia nazi, aceitando plenamente as pesadas e implacáveis condenações que da mesma fizeram os Papas Pio XI e Pio XII, e nunca matou nenhum judeu.
Nos dias de hoje há um outro holocausto – a palavra é do Papa João Paulo II – o do aborto. Este genocídio foi advogado, propagandeado, promovido e votado por muitos que várias instituições católicas, desde a RR à UCP, têm como colaboradores ou convidados a debater e palestrar sobre os mais variados assuntos, inclusive acerca da licitude deste crime que João Paulo II classificou como o mais perverso e abominável.
O Bispo Williamson nunca, mas mesmo nunca, seria convidado ou autorizado a palestrar sobre qualquer tema, mesmo que fosse o do amor aos inimigos, como o são os promotores do holocausto contemporâneo.
Parece-me, pois, que isto só poderá significar o seguinte: quem manda na Igreja em Portugal não se rege por princípios e valores, mas pela popularidade e benefícios que pode ganhar. O que me leva a concluir que se o anti-semitismo estivesse de moda, contasse com maiorias, tivesse a comunicação social a seu favor e mandasse no estado, o Bispo Williamson e outros como ele, talvez mesmo Goebbels, caso fosse vivo, seguramente teriam as mesmas atenções e gozariam da mesma presença na RR, na UCP e em outras instituições da Igreja. As Sagradas Escrituras ao indicarem este tipo de comportamento chamam-lhe prostituição.
2. O Papa Bento XVI tem aquele traço que caracterizava Jesus Cristo, de Quem é vigário na Terra. Quando ensina, pela palavra ou pelo exemplo, desencadeia vendavais. Foi o que aconteceu agora, mais uma vez, a propósito de preservativo. Porque disse a verdade, a comunidade internacional, constituída por políticos, grandes multinacionais farmacêuticas, comunicação social, membros da hierarquia da Igreja, movimentos de controlo demográfico, instituições eugenistas, etc., formaram furacões, cuja característica parece ser a de, por incapacidade de se abrirem para irem ao encontro do outro, rodopiarem sobre si mesmos levando a destruição e desolação a toda a parte. O Santo Padre foi, de novo, flagelado pelos grandes deste mundo, acusado injustamente, condenado na praça pública. O semanário português Expresso ultrapassou ignobilmente em infâmia os algozes que coroaram Cristo de espinhos, ao encapuzar o representante do mesmo Cristo com aquele látex posto ao serviço da promiscuidade imunda que domina grande parte do mundo.
O Norte e o Ocidente rasgaram hipocritamente as faustosas e luxuriosas vestes arguindo o Papa de ser responsável por um genocídio sexual, como se a castidade e a fidelidade no matrimónio pudessem liquidar alguém! Este mesmo multimilionário Noroeste que atulha África de preservativos mas que é incapaz de auxiliar esse continente num verdadeiro combate à malária que mata muito mais que a sida; que ignora as mães que têm de andar 40 quilómetros a pé para arranjarem uma aspirina para o seu filho doente, ou 10 quilómetros para irem buscar água; que assistiu impávido e sereno aquele tenebroso e imenso genocídio do Ruanda. Este Noroeste que censura a informação verdadeira e cientificamente comprovada do incentivo à promiscuidade que as suas campanhas do látex imundo têm promovido com o consequente aumento exponencial das doenças sexualmente transmissíveis, algumas incuráveis e outras mais mortais que a sida. Em 20 anos, por exemplo, nos USA elas subiram de três para cerca de vinte. O preservativos é incapaz de deter o vírus do papiloma humano (HPV) que é responsável por muito mais mortes que a sida. E o vírus desta, com o decorrer do tempo, acabará inevitavelmente, mesmo com o uso consistente do preservativo, em virtude do chamado “efeito roleta russa”, por contagiar quem o usa. Isto quem o afirma não é a Igreja mas sim a IPPF a maior organização não governamental do mundo que se dedica ao incentivo do aborto, da promiscuidade sexual, da contracepção e do preservativo.
Não por acaso Edward C. Green, Director do projecto de investigação sobre a sida do Centro de Estudos, da Universidade de Harvard (USA), para a População e Desenvolvimento veio a terreno defender o Papa Bento XVI: “O Papa tem razão, ou dito de outra maneira, as melhores provas que temos estão de acordo, suportam, as palavras do Papa”. E continuou “ os nossos estudos, incluindo o US – funded Demographic Healt Surveys’, mostram uma associação consistente entre a maior disponibilidade e uso de preservativos e uma taxa mais alta (não mais baixa) de infecção por HIV.”[1]
Os médicos que trabalham em África sabem-no bem. Em entrevistas, por estes dias, ao Avvennire afirmaram categoricamente que não é possível diminuir o contágio sem uma alteração radical dos comportamentos. E que só onde ela se deu é que se verificou uma diminuição substancial do mesmo. Sendo porventura os exemplos mais eloquentes o Uganda, em África, e as Filipinas, no Pacífico.
Acima falei de vendaval e logo a seguir dos furacões. Espero que não se tenha entendido que eu atribuía a responsabilidade por estes últimos ao Santo Padre. Não! Estes devastadores como são devem ser atribuídos ao império que as potestades malignas exercem sobre os grandes deste mundo. Os vendavais, pelo contrário, são causados pelo Espírito Santo, como no Pentecostes, e suscitam conversões e adesão a Jesus Cristo e à Sua Igreja. É isso mesmo que verificamos com o Papa Bento XVI. Bem podem as autoridades mundanas e algumas eclesiásticas arreganhar-lhe o dente e rosnar-lhe impropérios que o povo simples está com ele e segue-o avidamente, como outrora seguia Jesus.
[1] http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/mar/09031906.html
De Anónimo a 24 de Março de 2009 às 19:54
NOTÍCIA DE HOJE:
UNAIDS reconhece papel da fidelidade e abstinência na prevenção da SIDA
O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre o HIV/SIDA (UNAIDS), reconheceu em comunicado que “o início mais tardio da vida sexual e a fidelidade entre os casais” são parte das acções preventivas para evitar o contágio desta doença.
Num comunicado divulgado na sua página oficial (www.unaids.org), o UNAIDS assinalou a urgente necessidade de evitar novas infecções.
Embora se insista no uso do preservativo, o organismo reconhece que para prevenir a difusão do HIV é necessário tomar em conta os patrões de conduta, como a fidelidade e o início tardio das relações sexuais.
O organismo retoma um comunicado de 2004, sobre o uso do preservativo, no que parece ser uma resposta à polémica gerada pelas recentes declarações do Papa a este respeito.
De Anónimo a 26 de Março de 2009 às 19:58
Preservativo não foi solução para AIDS na África do Sul
Um vídeo confirma as palavras do Papa
JOHANNESBURGO, quarta-feira, 25 de março de 2009 (ZENIT.org).- Um novo site oferece documentários nos quais se mostra como é possível lutar contra a AIDS desde uma perspectiva cristã e mostra como, a partir da experiência sul-africana, o preservativo não está detendo a epidemia.
A iniciativa, recém-lançada na rede, publica os documentários audiovisuais, produzidos por Metanoia Media, «Semear entre lágrimas», merecedor de vários prêmios, assim como «Chegou a mudança», no qual se apresentam imagens e testemunhos inéditos dos ativistas católicos na luta contra a AIDS, na África do Sul e na Uganda.
Norman Servais, diretor da companhia de produção sul-africana, explicou à Zenit que «meu país, como se sabe, é a capital mundial da AIDS, de maneira que podem falar-nos de preservativos, se quiserem, mas nós lhes responderemos que não são a solução».
O bispo Hugh Slattery, de Tzaneen, na África do Sul, promoveu a produção destes vídeos como parte de um programa para responder à AIDS a partir de uma perspectiva católica.
Em uma entrevista com Zenit, Dom Slattery explica que o objetivo do segundo documentário consiste em mostrar que «a abstinência antes do casamento e a fidelidade no casamento deterão rapidamente a difusão da AIDS».
Um terceiro documentário da série, «Chamados a prestar ajuda», enfrentará o tema da «assistência aos enfermos, aos que vão morrer, e aos órfãos da AIDS», explica o produtor.
O quarto vídeo, que será divulgado ao final deste ano, mostrará «o casamento e a família como a autêntica solução à pandemia da AIDS».
Boa noite, D. Acília.
Como está? Peço desculpa por só estar a responder agora, hoje Domingo de Páscoa, mas uma gripe tem-me impedido quer de responder a comentários. No entanto, este tempo fez-me crer que teria de lhe dar uma resposta cuidada e não em "cabeça quente". É isso que estou a fazer neste momento.
Ao longo destas semanas, sou avisado, pelo meu mail, quando chegam comentários aqui a este espaço.
De facto, li algumas notícias que tem publicado aqui na área de comentários, bem como, as notícias que têm saído em jornais e revistas sobre esta polémica dos "preservativos".
Portanto, aqui vão as minhas ilações:
1. A Igreja Católica, como instituição que é, não pode, nem deve, assumir como principal forma de contracepção a fidelidade e a abstinência. Poderão existir casais que um dos cônjuges está infectado com o HIV/SIDA e este, mesmo que seja fiel, transmitirá, sem o recurso ao preservativo, o vírus ao outro. Com o uso do preservativo, que foi apelidado de "mal menor" por D. Carlos Azevedo, presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social, o cônjuge não passará para o outro, o vírus.
2. Quando me enviou a notícia que publicou em 24 de Março de 2009, fiquei um pouco confuso com estas frases: "Os médicos que trabalham em África sabem-no bem. Em entrevistas, por estes dias, ao Avvennire afirmaram categoricamente que não é possível diminuir o contágio sem uma alteração radical dos comportamentos. E que só onde ela se deu é que se verificou uma diminuição substancial do mesmo. Sendo porventura os exemplos mais eloquentes o Uganda, em África, e as Filipinas, no Pacífico.". Repare-se num ponto: é tradição a constante mudança dos parceiros sexuais. É normal na sua cultura. A mudança de comportamentos é sim um meio e num um fim em si mesmo. Toda e qualquer mudança que possa haver nas culturas deve e ser acompanha por concepção artificial e por um planeamento familiar coerente (algo que já acontece como referi no comentário de 21 de Março).
3. Uma tia minha é enfermeira num hospital público, e, como tal, sabe mais sobre estas coisas do que eu. Faz acções de formação, palestras e, sim, distribui preservativos. Perguntei-lhe directamente sobre esta questão: sabia que o preservativo tem uma taxa de insucesso de cerca de 10%? É muito, mas nenhum método é infalível. Mesmo a abstinência sexual ou a fidelidade. Existem métodos de transmissão que podem acontecer nas nossas casas, por exemplo, a mulher cortar-se com a lâmina de barbear do marido, quando a mulher está a arrumar a casa de banho ou, no momento do nascimento, o bebé ficar infectado com o vírus da SIDA.
4. Não posso deixar de discordar,por completo, quando Nuno Serras Pereira diz "látex posto ao serviço da promiscuidade imunda que domina grande parte do mundo". O preservativo é colocado ao serviço da humanidade porque, salva vidas. Sim, pode não impedir a transmissão de algumas doenças, mas pode salvar vidas. E eu vou ser irónico outra vez: qual será mais promiscuo? Impedir (ou, pelo menos, tentar impedir)a transmissão da SIDA (mesmo entre casados) ou a propagação da SIDA pelos dois e posterior feto?
5. O uso do preservativo não é, na minha opinião, um método abortivo. Considero um aborto, quando o óvulo é fecundado e depois, por qualquer que seja o método, é retirado de lá. Será um "mal menor" prevenir isto? É! O uso de "uma relação de uma noite" também concordo com o uso do preservativo. Não cabe a mim julgar essa acção. Mas mais vale o uso do preservativo que uma criança abandonada, violada ou talvez, morta.
6. Quando o mesmo Nuno Serras diz que o Noroeste não se importa com a fome em África, com o genocídio no Ruanda, e por aí fora, está-se a dirigir aos EUA. Não sei porque é que ele só se dirige a estes pois, não são só estes que não se importam com África. Nós Europeus, também não. E pelos vistos estamos mais preocupados se o BPN vai falir ou não ou se o Sócrates vai sair ou não.
E, por último, não queria de deixar de agradecer, os seus comentários. E deixe-me frisar uma coisa: quando comentei sobre o seu artigo, tentei pesquisa-lo quer na internet, quer no próprio site do Jornal de Vieira. Não consegui encontrar. Eu gosto que, quando comento algo ter acesso a todos os dados. Como pode ver, quando eu comento alguma notícia, tem a hiperligação respectiva. Neste caso não encontrei. Por isso, comentei com o que me foi possível ter acesso.
Tenha um Óptima e Santa Páscoa e volte a este espaço mais vezes.
De Anónimo a 24 de Abril de 2009 às 11:39
Olá Bruno
Só hoje vi o seu comentário. vou lê-lo com atenção, prometo.
Para já incluo um artigo que me parece interessante
Com amizade
M. Acília
O Mal da Sida e o bem da Prevenção
Prof. Henri Lestradet
Entrevista ao Prof. Henri Lestradet, da Academia Nacional de Medicina Francesa, realizada por Jann-Lois Jamin ( de "Famille Chrétienne", nº 847, 7 de Abril 1994, traduzida para Acção Médica ).
... Contrariamente ao que nos pretendem fazer crer, o preservativo está muito longe de constituir uma protecção 100% eficaz contra o vírus da SIDA. Ora as campanhas oficiais de prevenção assentam todas exclusivamente na promoção do preservativo. É preciso ter a coragem de o dizer: é simplesmente criminoso!
... a menor ferida, o menor arranhão, posto em contacto com sangue ou com uma secrecção (esperma, outras secrecções sexuais, saliva, leite materno. etc.) contaminados, constituem uma porta aberta à infecção.
... Se o preservativo falha tantas vezes como contraceptivo, como poderia ser mais eficaz na protecção contra a SIDA, quando se sabe que o vírus HIV é cerca de 450 vezes menor que um espermatozóide?
Existe ainda uma outra razão ainda mais determinante: de acordo com um estudo publicado no The Lancet de 10 de Dezembro de 1992, as secreções que precedem a emissão do esperma contêm igualmente o vírus. Donde resulta que aquando das manipulações necessárias à sua colocação, o preservativo utilizado pelo homem seropositivo ficará por força exteriormente sujo.
Ambos estes factos têm consequências dramáticas, de que as mulheres são as primeiras vítimas. No grupo de heterossexuais, as mulheres são três vezes mais contaminadas que os homens. Porque se é verdade que um homem são fica relativamente protegido (em 90 a 95% dos casos) pelo preservativo relativamente a uma companheira seropositiva, o inverso não é verdade. Desde que tenha a menor infecção ou ulceração vaginal, a mulher corre o risco de ser contaminada por um homem seropositivo que, sabendo-o ou não, se considere para todos os efeitos protegido pelo seu preservativo.
Além do mais – embora se ignorem ainda outros pormenores – o perigo de contágio é igualmente importante no caso das primeiras relações sexuais, uma vez que a ruptura do hímen cria imediatamente uma ferida aberta.
6- Não serão hipóteses alarmistas?
Ainda no ano passado [1993] vivi duas histórias trágicas, passadas com duas mulheres ainda novas, que acabou por se descobrir, quase por acaso, estarem contaminadas.
A primeira, que levava aliás uma vida comple-tamente regular, tinha tido apenas uma vez uma relação sexual antes de se casar, no final de uma noite em que bebera um pouco excessivamente - e com um homem que tivera o cuidado de colocar um preservativo. A segunda tivera várias relações sexuais, mas apenas durante uma estada num club de férias e sempre com o mesmo companheiro - o qual também se "protegera" sempre cuidado-samente.
Uma vez casadas, tiveram cada uma um filho. Veio a verificar-se que ambas as crianças eram seropositivas. Quando se lhes fizeram análises, a elas e aos maridos, ficou provado que ambas eram seropositivas – e não os respectivos cônjuges.
Em ambos os casos, os seus primeiros com-panheiros, sem dúvida seropositivos (mas sabê-lo-iam eles próprios?), haviam no entanto utilizado sempre preservativos. Ora no que se refere à primeira destas mulheres, bastou uma única relação sexual para a contaminar.
Foi subsequentemente a estes dois dramas que eu, que sou pediatra, actualmente reformado, decidi comprometer-me publicamente neste debate sobre a SIDA.
Existe, finalmente, um terceiro grande risco de transmissão sexual da SIDA, este muito mais conhecido, mesmo sendo tabú, que está ligado à sodomia, homo ou heterosexual. É necessário que se saiba que o recto é de uma grande fragilidade e que a sua mucosa, de uma extrema permeabilidade, é desprovida de qualquer barreira imunitária.
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